VACINA

A vacina da gripe pode ser aplicada juntamente com outras?

Podemos tomar a vacina da gripe com as outras do calendário?

Médica explica que única restrição é a vacina da dengue, que não deve ser aplicada simultaneamente com a do Influenza
vacina da gripe
Tânia Rêgo/Agência Brasil

Passamos por uma epidemia de dengue no ano passado, temos outra de febre amarela ainda em curso… Agora, com a proximidade do inverno, é importante nos vacinarmos contra a gripe até três semanas antes da chegada do inverno para garantir a proteção. Mas, com tantas doenças presentes no nosso dia a dia, surge a dúvida: a vacina da gripe pode ser tomada juntamente com as outras exigidas no calendário atual?

A médica pediatra Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), afirma que a vacina Influenza, contra a gripe,  pode ser aplicada simultaneamente com as demais do calendário da criança, adolescente, adulto ou idoso, com exceção da vacina da dengue. Nesse caso, deve ser dado um intervalo de 30 dias entre as duas vacinas. A recomendação é válida tanto para a trivalente quanto para a quadrivalente e, segundo a pediatra, é adotada mais como precaução.

A vacina da dengue não deve ser administrada com nenhuma outra. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) explica, em sua página, que “nenhum estudo específico foi realizado sobre a administração concomitante da vacina contra a dengue e de qualquer outra vacina ou produto farmacêutico”. Isabella afirma que ela ainda é recente e que são necessários mais estudos sobre aplicações simultâneas.

Vacinas Influenza

A presidente da Sbim explica que as vacinas da gripe disponíveis no Brasil (trivalentes ou quadrivalentes) são inativadas – feitas com vírus mortos – e não têm capacidade de provocar doença. Também não possuem adjuvantes (substâncias que aumentam a eficácia, mas também os efeitos colaterais) em sua composição. De acordo com a Sbim, até 2014, essas vacinas eram trivalentes. Continham uma cepa A/H1N1, uma cepa A/H3N2 e uma cepa B (linhagem Yamagata ou Victoria). As novas vacinas quadrivalentes, licenciadas desde 2015, contemplam, além dessas três, uma segunda cepa B.

A vacina quadrivalente do laboratório GSK está licenciada para crianças a partir de 3 anos e adultos, em formulação de 0,5 mL. A vacina quadrivalente do laboratório Sanofi Pasteur tem registro de duas formulações. Uma pediátrica, para uso em crianças de 6 meses a 3 anos (0,25 mL), e outra adulta, para crianças acima de 3 anos e adultos (0,5mL). Não há diferenças significativas entre elas na resposta imune, na eficácia ou na reatogenicidade, de acordo com a Sbim. A vacina da gripe usada na Campanha Nacional de Vacinação deste ano é a trivalente. Contém uma cepa AH1N1, uma cepa AH3N2 e uma cepa B linhagem Victoria.

Os vírus

Existem três tipos de vírus da gripe: A, B e C. Os vírus influenza tipo A são classificados em subtipos de acordo com as combinações de duas proteínas diferentes na superfície do vírus, a hemaglutinina (H) e a neuraminidase (N). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os subtipos de vírus da gripe A que circulam entre os seres humanos são o H1N1 e o H3N2.

Os vírus circulantes da gripe B podem ser divididos em duas linhagens: Yamagata e Victoria. Os vírus da gripe A e B circulam e causam surtos e epidemias. Por isso, cepas mais relevantes deles estão incluídas nas vacinas. O vírus da gripe de tipo C, explica a OMS,  ocorre com menos frequência e, geralmente, provoca infecções leves.

Devido à constante evolução do vírus Influenza, o Sistema Global de Vigilância da OMS – uma rede de centros nacionais de Influenza e de centros colaboradores – em todo o mundo monitora continuamente os vírus Influenza circulantes em humanos e atualiza a composição da vacina da gripe. Daí a importância da vacinação anual.

Transmissão

Um simples espirro joga no ar cerca de 40 mil gotículas de saliva que podem carregar os vírus da gripe. É assim que eles “viajam” pelo ar e se “acomodam” nas superfícies do nosso corpo ou de objetos. Esses vírus são transmitidos pelo ar ou pelas mãos, por exemplo, de uma pessoa a outra. Quando atingem as mucosas da boca, do nariz e dos olhos, podem desencadear a doença.

O período de transmissão da gripe começa 24 horas antes dos sintomas e dura de cinco a dez dias após o início dos sintomas. Febre, calafrios, tremores, dor de cabeça, dores no corpo, perda de apetite, tosse (em geral seca), dor de garganta e coriza começam repentinamente e duram cerca de uma semana. Em crianças e pessoas com imunidade comprometida, esse período pode se estender por até mais de dez dias.

A pneumonia é a complicação mais frequente e a principal causa de morte em decorrência do Influenza. Estima-se que as epidemias de gripe causem de 3 milhões a 5 milhões de casos de doenças graves e levem à morte entre 250 mil e 500 mil pessoas.

Prevenção

A prevenção evita que você adoeça e também que transmita o vírus influenza, e isso aumenta a proteção para todos. Além da vacinação anual, é importante manter bons hábitos de higiene. É preciso lavar bem as mãos com água e sabão e com frequência;  evitar tocar os olhos, boca e nariz após contato com superfícies; não compartilhar objetos de uso pessoal e, ainda, cobrir a boca com a parte interna do antebraço ao espirrar ou tossir. Evitar ambientes fechados, com pouca circulação de ar, e aglomeração de pessoas também ajuda a prevenir a transmissão.

Três perguntas

1) Há algum grupo prioritário para receber a vacina quadrivalente da gripe?

As recomendações são as mesmas para as vacinas quadrivalentes e trivalentes. No entanto, as vacinas quadrivalentes só estarão disponíveis em clínicas privadas de imunização. Portanto, é importante lembrar que os grupos de maior risco para as complicações e óbitos por influenza, beneficiados pela vacinação na rede pública, também podem se beneficiar com a vacina quadrivalente. Mas, na impossibilidade disso, não devem deixar de se vacinar utilizando a vacina que estiver disponível.

2) A vacina quadrivalente se mostrou eficaz?

As vacinas influenza quadrivalentes foram licenciadas baseadas em estudos de imunogenicidade e de segurança. Espera-se, pela maior abrangência de cobertura de cepas circulantes dessas vacinas, uma maior efetividade na prevenção da doença.

3) A vacina da gripe quadrivalente é mais reatogênica do que a trivalente?

Os estudos de licenciamento das duas vacinas quadrivalentes não demonstraram maior incidência de eventos adversos do que a vacina trivalente. O perfil de segurança é o mesmo.

Fonte: Vacinas influenza no Brasil em 2017. Nota técnica da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) em 29/03/2017, assinada por Isabella Ballalai, Renato Kfouri e Juarez Cunha.

 

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