Depoimentos

Câncer de mama

“A gente dá uma baqueada”

Sempre fui à médica; descobri o câncer de mama há 4 anos
Marisa Helena da Silva, 53
Empresária, dona da lanchonete que funciona no Hospital Dr. Helio Angotti, em Uberaba, no Triângulo Mineiro

câncer de mama

Crédito: Paulo Ferreira – Assessoria de Comunicação/Hospital dr. Hélio Angotti

“Descobri que tinha câncer de mama há quatro anos. Sempre fui à médica (ginecologista). Em 2012, descobrimos um carocinho com um olhinho, tipo uma pintinha, do lado direito. Ela disse que ia me passar para outra médica para dar uma olhadinha no seio. Fiz mamografia e ultrassonografia. A doutora Jane me abraçou muito e disse “Você está com câncer de mama”. Estava na fase inicial. Contei primeiro para os meus filhos, hoje com 30 anos (a filha) e 26 anos (o filho). Depois para meu esposo. Tive apoio total. As mulheres geralmente escondem quando descobrem a doença, têm vergonha. Eu não. Contei para todo mundo.

A gente dá uma baqueada. Mas recebi força de todo mundo. Do hospital inteiro. O que afeta mais mesmo é o psicológico. Quem tem a doença precisa trabalhar muito com a mente. A mente comanda o corpo. Eu sou alegre. Gosto de festa, de reunião.

“As mulheres geralmente escondem quando descobrem a doença, têm vergonha. Eu não. Contei para todo mundo”

Lembro que foi pouco antes do Carnaval, em março. Disse para a médica: “Quero ir ver minha irmã no Rio. Na volta, faço o tratamento”. Quando voltei, fiz os exames, internei e operei. Quando cicatrizou, fiz quimioterapia. Foram oito meses de tratamento, de 21 em 21 dias. Não fiz radioterapia. Perdi meus cabelos e retirei a mama. Não usei peruca. Meu filho comprou uma, mas ficava pinicando. Eu usava lenço. E meu sutiã tem peitinho falso.

Faço o acompanhamento direitinho. O médico já liberou a reconstituição da mama para mim, mas não me faz falta. Agora estou pretendendo fazer para ajudar as mulheres que me procuram para conversar. Elas nunca querem fazer o tratamento com medo de tirar a mama. Os médicos dizem que já fiz e falam para elas virem conversar comigo. Passo meu amor pra elas e tento animá-las.

“Superei a doença que Deus mandou para mim e fiz mais ainda”

Graças a Deus, eu superei. A gente cria energia, cria força. Separei depois do tratamento. Estava casada havia 35 anos, mas eu não queria mais. Já era casamento falido antes da doença. Hoje a gente é amigo, eu tenho namorado, saio, danço. E cuido do meu neto de nove meses para minha filha.

Deus dá para gente duas vidas – quando tem a doença recupera a vida. Fiz um plano para comprar carro com o benefício da mama. Comprei uma casinha. Fiz um jardim para mim. Superei a doença que Deus mandou para mim e fiz mais ainda.

O que posso falar é que, se descobrir o câncer de mama em qualquer idade, não tenha medo. Confie em Deus em primeiro lugar. E não faça do câncer uma doença que jamais vai ter cura. Enfrente o problema, conte, saia, passeie, dance. É por aí.”

 

 

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