05 - março - 2026
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Biscoito recheado pode tirar até 39 minutos de vida saudável por porção

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O consumo de biscoito recheado, popular produto ultraprocessado a que muitos brasileiros recorrem para refeições rápidas, está associado à perda média de 39 minutos de vida por porção (cerca de 110 g ou menos de um pacote). O dado integra uma avaliação inédita de impacto combinado para a saúde humana e a sustentabilidade dos principais alimentos consumidos no país. O resultado foi publicado nesta sexta-feira (9) na revista científica “International Journal of Environmental Research and Public Health”.

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Biscoito recheado

A pesquisa, feita por pesquisadores das universidades de São Paulo (USP), do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Técnica da Dinamarca (DTU), analisou os 33 alimentos que mais contribuem para a ingestão energética dos brasileiros. O estudo usou o Índice Nutricional de Saúde (HENI), uma pontuação que estima minutos de vida ganhos ou perdidos conforme as características nutricionais dos itens. Além disso, os cientistas calcularam o impacto ambiental das porções em emissão de gases de efeito estufa (CO₂ equivalente) e volume de água utilizado.

O HENI médio no Brasil, de acordo com a pesquisa, foi de -5,89 minutos. O índice no país variou de -39,69 minutos para biscoito recheado a +17,22 minutos para o consumo de peixes de água doce. Entre os piores colocados, também estão carne suína (−36,09 minutos), margarina com ou sem sal (−24,76 minutos), carne bovina (-21,86 min) e biscoitos salgados (-19,48 min). Por outro lado, alimentos in natura, principalmente banana (+8,08 minutos) e feijão (+6,53 minutos) mostraram bom desempenho tanto para a saúde quanto para o planeta.

Quando o assunto é sustentabilidade, a pizza de mussarela se destaca negativamente. Isso porque ela usa mais de 306 litros de água para uma porção média de 280 gramas. A carne bovina, além do impacto negativo para a saúde, emite mais de 16 kg de CO₂ equivalente por porção. Por outro lado, a banana tem emissão de apenas 0,1 kg de CO₂ equivalente e usa 14,8 litros de água por porção.

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Como foi feito o estudo

O levantamento avaliou o consumo dos alimentos em quatro agrupamentos regionais. Em comum entre as regiões brasileiras, está a dieta centrada em arroz, feijão, carnes bovina, suína e de frango. De forma geral, os pesquisadores também identificaram monotonia alimentar e consumo reduzido de alimentos nativos e biodiversos. Ambos são essenciais para uma dieta saudável e sustentável.

Porém, o artigo identifica as piores médias do índice nos dois agrupamentos regionais que correspondem ao Nordeste e a parte da região Norte. Nessas regiões, a variação foi de -61,15 minutos para o consumo de carne seca até +41,43 minutos para o consumo de açaí com granola.

“Esses achados reforçam que a melhoria dos sistemas alimentares exige ações que vão além da promoção de informações sobre escolhas saudáveis e sustentáveis. É necessário garantir acesso real, contínuo e economicamente viável a esses alimentos, especialmente para populações em situação de vulnerabilidade”, comenta Marhya Júlia Silva Leite, uma das autoras do artigo, sobre os desafios de avaliar conjuntamente as dimensões nutricional, ambiental, cultural e econômica da alimentação brasileira.

A autora ressalta que não se deve interpretar os números presentes como medidas exatas, mas apenas como estimativas comparativas do impacto relativo dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros.

Para a pesquisadora, o estudo pode contribuir para iniciativas que promovam a agricultura familiar. E pode beneficiar, especialmente, a produção de alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, feijões e legumes.

Políticas que incentivem a produção local e diversificada e o acesso a alimentos saudáveis podem ser orientadas por esses achados, promovendo sistemas alimentares mais resilientes, justos e sustentáveis. Também é uma oportunidade para valorizar a sociobiodiversidade brasileira, com estímulo ao cultivo e consumo de alimentos nativos que hoje são pouco explorados e consumidos em algumas regiões.

Marhya Júlia Silva Leite, uma das autoras do artigo

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Importância da alimentação saudável

Vale ressaltar que os números não significam necessariamente uma perda de tempo de vida, já que comer alguns desses alimentos ocasionalmente não oferece risco relevante à saúde. No entanto, eles alertam para a importância da alimentação saudável no cotidiano. Isso porque o Brasil apresentou uma média nacional negativa, de -5,89 minutos por alimento.

Alguns dos principais vilões são o excesso de carnes processadas, sódio, gorduras trans e bebidas adoçadas na dieta. Anteriormente, bebidas artificialmente doces já foram associadas ao aumento de diabetes no Brasil, bem como ao aumento do risco de câncer oral. Por outro lado, os alimentos mais benéficos incluem fibras, frutas, vegetais, leguminosas, ômega-3 de peixe e leite.

Por fim, confira abaixo os alimentos avaliados no estudo e os resultados encontrados para cada um deles:

Alimentos perigosos com pior pontuação HENI:

  • Biscoito recheado: -39,69 minutos
  • Carne suína: -36,09 minutos
  • Margarina: -24,76 minutos
  • Carne bovina: -21,86 minutos
  • Empanado de frango: −-17,88 minutos
  • Presunto: -15,71 minutos
  • Refrigerante com açúcar: -12,75 minutos
  • Pizza de mussarela: -11,61 minutos
  • Cachorro-quente: -10,63 minutos

Alimentos com melhor pontuação HENI:

  • Peixe de água doce: +17,22 minutos
  • Banana: +8,08 minutos
  • Feijão: +6,53 minutos
  • Suco natural de fruta: +5,69 minutos
  • Arroz integral: +4,71 minutos
  • Azeite de oliva: +3,34 minutos
  • Aveia: +2,78 minutos
  • Tomate: +2,65 minutos
  • Castanha-do-pará: +2,34 minutos
Fontes: Agência Bori e Jornal da USP

*Texto atualizado em 19 de maio para incluir as listas dos alimentos com as piores e as melhores avaliações de acordo com a pontuação HENI.

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