05 - março - 2026
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Dia da Escuta: uma em cinco pessoas tem perda auditiva

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Você tem o costume de parar, em algum momento do dia, e ficar em silêncio, prestando atenção aos sons produzidos ao seu redor? Foi para incentivar esse hábito que foi criado, há 15 anos, o Dia Mundial da Escuta, comemorado nesta sexta-feira (18 de julho). Em alusão à data, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) deixa um alerta. No mundo, uma em cada cinco pessoas tem algum tipo de perda auditiva e, em média, uma em cada dez pessoas sofre com zumbido.

De acordo com o relatório “Surdez e perda de audição”, da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1,5 bilhão de pessoas – cerca de 20% da população global – vive com alguma forma de perda auditiva. Desse total, 430 milhões têm perda incapacitante. E 34 milhões são crianças, das quais 60% poderiam ter sua condição evitada por ações de saúde pública, como vacinação e controle de infecções.

Em paralelo, um estudo de 2022, publicado na revista “JAMA Neurology”, revelou que 14,4% dos adultos em todo o mundo já vivenciaram zumbido (tinnitus) e 2,3% relatam casos graves. Esse índice cresce de forma expressiva com o avançar da idade: de 9,7% entre 18 e 44 anos para 23,6% a partir dos 65 anos. 

Prevenção

O médico otorrinolaringologista Ricardo Dourado, membro da ABORL-CCF, explica que a legislação trabalhista brasileira hoje tem uma boa cobertura para a proteção da audição. A lei garante, por exemplo, que se tenha redução das horas de trabalho a partir de um determinado tempo de exposição a altos decibéis.  “Quase todas as empresas seguem as normas, e o Ministério do Trabalho fica bem em cima disso”, diz ele.

O que acaba escapando e prejudicando a audição, principalmente dos jovens, segundo Dourado, são o uso frequente de fone de ouvido em alta intensidade e o tempo prolongado perto de caixas de som com alto volume durante as festas. “Quando você fica um tempo prolongado perto da caixa de som, com frequência, isso vai deteriorando a saúde auditiva”, alerta. Os efeitos desse impacto na audição são acumulativos. Então, o melhor é adotar a prevenção.

Perda auditiva

Há três tipos de perda auditiva, segundo explica Dourado. Uma delas é a condutiva, quando há algo que impede a onda mecânica vibratória de chegar à cóclea (órgão do ouvido que transforma essa onda em sinal elétrico e o leva ao cérebro, que faz a interpretação do sinal). Essa obstrução pode ocorrer, por exemplo, por tímpano perfurado ou até mesmo por secreção ou excesso de cera.

Também há a perda auditiva neurossensorial, quando a cóclea não funciona de forma adequada. Isso ocorre, por exemplo, no envelhecimento, quando as células vão envelhecendo e se perde a audição de algumas frequências de som ou com a exposição frequente a sons altos. A terceira é a perda auditiva mista – junção das duas primeiras – por conta, por exemplo, de infecções crônicas de ouvido ou traumatismos. 

Dourado explica que a perda de audição pode ocorrer em variadas faixas etárias e é avaliada em graus: há a perda auditiva leve, a moderada, a severa e a perda profunda. ele lembra que a saúde auditiva é tão importante para o desenvolvimento da criança que é avaliada já no bebê recém-nascido com a Triagem Auditiva Neonatal (TAN), o chamado “teste da orelhinha”.  “Se a criança não ouvir bem, ela não vai se desenvolver bem”, diz.

O médico orienta a se fazer uma audiometria depois disso, por volta dos 5 anos, antes da alfabetização. “Nessa faixa etária, já é possível avaliar a criança”, explica. No exame de audiometria, o paciente é colocado em uma cabine isolada acusticamente e exposto a sons para checar qual o menor som que ele consegue perceber em cada frequência. 

Monitoramento

Mesmo não havendo problemas de audição e a criança evoluindo bem, é bom o pediatra fazer o acompanhamento dela, avaliando as queixas e monitorando as infecções de repetição. “Ela pode ter perdas pontuais na audição, mas se desenvolver bem”, complementa o médico.

A perda auditiva com o envelhecimento pode ocorrer a partir dos 50 anos, mas vai variar de acordo com a pessoa e seu histórico familiar, afirma Dourado. O clínico geral e o geriatra devem monitorar essa perda e fazer o encaminhamento ao otorrinolaringologista – médico especializado nessa área.

Consequências da perda auditiva

A perda auditiva pode levar ao isolamento social e à depressão, aumentando o risco de demência com a idade. “Na primeira infância, é gravíssimo, principalmente se a perda ocorre antes de a criança aprender os fonemas e desenvolver a fala. O surdo-mudo é um surdo que não aprendeu a falar. Daí é importante corrigir a perda auditiva o quanto antes para se desenvolver a linguagem”, explica Dourado.

O médico ressalta que, apesar de ser comum acreditar que todo idoso não escuta bem, isso não é normal, sendo importante avaliar o grau da perda auditiva e buscar tratamento. “Hoje em dia, estudos demonstram que uma das formas de se evitar a evolução para a demência é a correção da perda auditiva. Quando se corrige a perda auditiva, o risco de evolução do Alzheimer fica igual ao de uma pessoa sem perda auditiva. Isso é um ponto fundamental”.

Ele lembra que, muitas vezes, ao não responder direito ou ficar pedindo para repetir as falas, as pessoas acabam desistindo de conversar e ou o próprio idoso evita de evitar as conversas por não compreender. “Isso leva ao isolamento, o que também aumenta o risco de depressão”. 

Zumbido

São várias as causas do zumbido tem muitas causa. “De forma grosseira é como a gente fala da dor: o zumbido é um sintoma, não é doença. E há várias doenças que podem causar zumbido. Uma das causas possíveis e mais comuns é a perda auditiva”, explica Dourado. Outras podem não ter relação direta com o ouvido, como alterações na glicemia, no colesterol ou na tireóide.

De acordo com o médico, o zumbido tipo apito ou panela de pressão é o mais comum. No entanto, ele pode se manifestar de várias formas, como chiado ou pulsáteis. “Esses últimos são os mais importantes porque podem ser sinal de uma condição mais grave, ter uma causa vascular”. 

Como cuidar da audição

Não existe uma recomendação formal da associação se a pessoa não estiver exposta a um ambiente com barulho no trabalho ou a infecções de repetição. A ABORL‑CCF, no entanto, dá cinco dicas para se proteger a audição. Confira:

  1. Reconheça os sinais
    Fique atento a dificuldades para entender conversas, necessidade de aumentar o volume de aparelhos ou percepção de zumbidos frequentes.
  1. Faça exames anuais
    Faça audiometria a partir dos 50 anos ou até mesmo antes se você trabalha em ambientes barulhentos ou utiliza fones em níveis elevados.
  1. Utilize proteção auditiva
    Use tampões ou conchas em shows, canteiros de obra e indústrias.
  1. Não ignore o zumbido
    Procure o médico se tiver zumbido, o que pode indicar uma lesão coclear.
  1. Trate infecções rapidamente
    Se tiver otites recorrentes, busque o médico. Sem tratamento, essas infecções podem causar danos permanentes à cadeia ossicular.

Dia Mundial da Escuta

Ouvir bem é viver melhor. O Dia Mundial da Escuta é o momento de lembrar que cada conversa e cada som devidamente captado reforçam aprendizados e vínculos. A data serve ainda para reforçar que ter uma avaliação médica dos problemas que atrapalham a escuta pode antecipar o tratamento e prevenir perdas irreversíveis. 

Ao adotar práticas simples, como avaliações periódicas, o uso de protetores auditivos e a atenção a sinais sutis, é possível não apenas proteger o bem‑estar, mas também fortalecer a cultura de escuta ativa.

O Dia Mundial da Escuta foi criado em 2010 pelo World Listening Project (WLP), uma organização internacional sem fins lucrativos. O WLP se dedica à promoção e compreensão do mundo e de seu ambiente natural, sociedades e culturas por meio das práticas de escuta e gravação de campo.

A data foi escolhida em homenagem ao nascimento do compositor, educador musical e autor canadense R. Murray Schafer (1933), influente por desenvolver, junto ao grupo de pesquisa World Soundscape Project, as ideias fundamentais sobre os conceitos de paisagem sonora e ecologia acústica na década de 1970.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Na minha família, meu avô e minha tia usaram aparelhos auditivos. Cada um teve um motivo diferente para a perda de audição, mas ambos tiveram dificuldades semelhantes assim que passaram a escutar menos. Algo que me faz pensar muito em quanto é importante escutar e também evitar problemas de saúde que atrapalhem a audição.

    • Frederico, nem sempre damos essa importância à audição. Obrigada pela audiência e pela contribuição.
      Carla Chein

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Carla Chein
Carla Chein
Carla Chein é jornalista com pós-graduação em jornalismo científico. Tem experiência em jornal impresso e como professora no curso de jornalismo. E-mail: carla.chein@paponoconsultorio.com.br

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