06 - março - 2026
InícioDestaqueDiagnóstico do câncer de próstata une exames conhecidos e novas técnicas

Diagnóstico do câncer de próstata une exames conhecidos e novas técnicas

- Patrocinado -

O exame de PSA, sigla em inglês para antígeno prostático específico, é o principal marcador para o diagnóstico do câncer de próstata de forma precoce. Embora não seja, por si só, um diagnóstico, o teste pode ajudar a salvar vidas. É o que aponta um estudo divulgado em outubro no “The New England Journal of Medicine”. Neste mês, a campanha Novembro Azul alerta para a importância da prevenção contra o câncer de próstata.

O acompanhamento ocorreu ao longo de 23 anos, observando os resultados de saúde de 162 mil homens. A investigação mostrou que realizar o exame de PSA periodicamente reduziu em 13% as mortes por câncer de próstata em relação ao grupo que não fez o exame de forma padronizada.

Leia mais: Saúde do homem: veja 6 sinais para ir ao urologista com urgência

Impacto

“Esse estudo é muito relevante pelo seu impacto, mas começou em 1993, quando não tínhamos ressonância magnética, terapia focal e cirurgia robótica. Então, os resultados comparativos hoje em dia provavelmente trariam uma diferença maior”, observa o urologista Ariê Carneiro, coordenador da pós-graduação de Cirurgia Robótica em Urologia do Einstein Hospital Israelita.

Outro ponto é que o intervalo dos acompanhamentos periódicos do estudo foi muito maior do que os que atualmente recomendados pelas principais sociedades médicas mundiais e brasileiras que tratam do câncer de próstata. Por aqui, o rastreio anual deve começar em homens a partir de 50 anos de idade e, em média, vai até os 75 anos.

Há casos em que a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda começar ainda mais cedo. Pacientes com histórico familiar e de etnia negra devem iniciar com 45 anos. Já aqueles com mutações genéticas que favoreçam o aparecimento de tumores devem começar o rastreio a partir dos 40 anos.

“O que vimos no estudo é que os países adotavam estratégias muito diferentes. Enquanto na França a triagem ocorria a cada dois anos, na Bélgica era a cada sete anos e a média foi de um exame a cada quatro anos. Para nós, isso é praticamente não fazer acompanhamento. Confunde os resultados e nos faz observar o estudo com cautela”, analisa Carneiro. Por outro lado, diz o médico, a pesquisa mostra que, mesmo fazendo o rastreamento de maneira esparsa, é possível salvar muitas vidas.

Leia mais: Brasil tem 195 novos casos de câncer de próstata por dia

Acompanhar é preciso

Os próprios autores ponderam que um PSA elevado nem sempre indica tumor maligno, e que falsos positivos podem levar a biópsias desnecessárias, incômodas e caras para os sistemas de saúde.

O exame de toque retal, por muito tempo visto como etapa obrigatória na detecção do câncer de próstata, hoje tem sido reservado a casos específicos. Esse procedimento pode complementar a análise, especialmente para identificar tumores raros que não elevam o PSA e tendem a ser mais agressivos.

O essencial para fazer o diagnóstico de câncer de próstata de forma precoce é, portanto, fazer o acompanhamento médico com frequência. “O diagnóstico precoce e em fase inicial permite abordagem menos invasivas e, em casos selecionados, nenhum tratamento ativo deve ser recomendado”, diz o urologista. Segundo ele, o maior problema no Brasil costuma de homens que não fazem acompanhamento. “Por isso, quatro em cada 10 cânceres de próstata aqui só são descobertos em casos metastáticos”, alerta.

A vigilância desse tipo de tumor, portanto, fica presa entre dois extremos: do ponto de vista da saúde pública, rastrear todos os homens anualmente tem um alto custo; por outro lado, deixar de submeter pacientes aos exames pode fazer com que o câncer cresça de forma silenciosa até ser um problema que ameace a vida. Por isso, cada vez mais tecnologias estão sendo criadas para melhorar o rastreio e as formas de escolher quem deve de fato ser submetido aos exames.

Leia mais: Robótica na uro-oncologia: o papel do ‘proctor’ na capacitação de cirurgiões no interior

O futuro do rastreio

Novas técnicas apresentadas em 2025 no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), o principal congresso mundial de oncologia, indicam que o diagnóstico do câncer de próstata caminha para ser mais seletivo e menos invasivo. O uso de biomarcadores urinários e genéticos para selecionar quem deve fazer o PSA está ganhando espaço.

Eles ajudam a identificar quem realmente tem indícios de um problema prostático e se beneficiaria mais do rastreamento. Além de distinguir tumores agressivos de lesões indolentes cujo manejo pode ocorrer apenas com a vigilância.

Essa observação ativa, inclusive, também tem mudanças: há novos estudos mostrando como a ressonância magnética combinada ao PSA aumenta a segurança do monitoramento e diminui a frequência de biópsias, realizadas pela uretra ou pelo reto, o que gera incômodo e dor.

“O futuro é selecionar melhor quem deve ser rastreado e tratado. Estamos caminhando para deixar a detecção mais simples e barata, além de entender melhor também os marcadores genéticos do tumor depois da biópsia”, analisa Carneiro.

“Estamos chegando mais perto de acompanhamentos mais efetivos e eficazes no uso dos recursos públicos. Tudo isso combinado com a precisão dos tratamentos, incluindo a cirurgia robótica, poderá nos levar a ter uma revolução na melhora da qualidade de vida e na sobrevida dos pacientes”.

Novembro Azul

Durante novembro, o movimento conhecido como Novembro Azul ganha destaque em todo o mundo, chamando a atenção para os cuidados com a saúde do homem. Especialmente, para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata.

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino que produz um líquido que nutre e protege os espermatozoides, formando parte do sêmen. Ela fica abaixo da bexiga e à frente do reto.

Apesar dos avanços na medicina, essa ainda é uma doença que preocupa. De acordo com o World Cancer Research Fund, houve 1,47 milhão de novos casos de câncer de próstata em 2022, o que o coloca entre os tipos de câncer mais comuns entre os homens em escala global.

No Brasil, os números também são expressivos. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, no triênio 2023-2025, surjam 71.730 novos casos por ano, o que corresponde a um risco estimado de 67,86 casos para cada 100 mil homens. Trata-se do câncer mais incidente na população masculina, excluindo os tumores de pele não melanoma, e também o segundo que mais mata homens no país. Somente em 2021, mais de 16 mil brasileiros perderam a vida em decorrência da doença, o que representa, em média, 44 mortes por dia. Esses dados reforçam a urgência da conscientização e da informação.

Fatores de risco

A idade é um dos principais fatores de risco: aproximadamente 75% dos diagnósticos ocorrem em homens com 65 anos ou mais. No entanto, também pesam a história familiar da doença, a etnia, homens negros e aqueles com ascendência africana apresentam maior probabilidade de desenvolver o câncer. Além de fatores relacionados ao estilo de vida, como sedentarismo, obesidade e alimentação rica em gorduras.

A boa notícia é que, quando detectado precocemente, o câncer de próstata tem altas taxas de cura. Isso torna o diagnóstico precoce uma ferramenta fundamental na luta contra a doença.

Fontes: Agência Einstein e Ministério da Saúde
- Patrocinado -
Leia também...
- Advertisment -
Papo no Consultório
Papo no Consultório
O Papo no Consultório é um espaço independente e publica o que considera relevante, considerando sempre as premissas do jornalismo. Textos e imagens podem ter direitos autorais. E-mail: contato@paponoconsultorio.com.br

MAIS POPULARES