O câncer segue como um dos maiores desafios de saúde pública no mundo – e quase dois em cada cinco casos de câncer poderiam ser evitados. É o que aponta um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado na revista científica “Nature Medicine“, que estimou a proporção global de casos de câncer atribuíveis a fatores de risco modificáveis. Neste 4 de fevereiro é celebrado o Dia Mundial do Câncer.
De acordo com a análise, quase 38% dos novos diagnósticos de câncer em 2022 no mundo – o equivalente a 7,1 milhões de casos entre 18,7 milhões – têm relação com 30 fatores conhecidos que contribuem para a prevenção ou redução da doença. Entre eles estão:
- tabagismo;
- consumo de álcool;
- índice de massa corporal elevado;
- sedentarismo;
- poluição do ar;
- exposição à radiação ultravioleta;
- infecções; e
- riscos ocupacionais.
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O trabalho utilizou dados do Global Cancer Statics (Globocan 2022) referentes a 36 tipos de câncer em 185 países. Para considerar o intervalo entre a exposição aos fatores de risco e o desenvolvimento da doença, os pesquisadores aplicaram dados de prevalência aproximados de 2012. A partir disso, então, calculou-se as frações atribuíveis à população – uma medida que estima a proporção de casos que teria prevenção com a eliminação do fator de risco.
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Casos de câncer
Os resultados revelam desigualdades importantes considerando gêneros e regiões. Entre as mulheres, 2,7 milhões de casos (29,7%) foram atribuíveis a fatores modificáveis, enquanto entre os homens esse número chegou a 4,3 milhões, representando 45,4% dos novos diagnósticos. A proporção de cânceres potencialmente evitáveis variou de 24,6% a 38,2% nas mulheres e de 28,1% a 57,2% nos homens, dependendo da região analisada.
O tabagismo apareceu, pois, como o principal fator de risco, responsável por 15,1% da carga global de câncer, seguido por infecções (10,2%) e consumo de álcool (3,2%). Os cânceres de pulmão, estômago e colo do útero concentraram quase metade dos casos evitáveis identificados pelo estudo.
Para os autores, os dados reforçam, pois, a urgência de políticas públicas voltadas à prevenção. “O fortalecimento dos esforços para reduzir a exposição a fatores de risco modificáveis continua sendo fundamental para a prevenção global do câncer”, destacam. A mensagem do artigo da OMS, portanto, é clara: investir em controle do tabaco, vacinação, diagnóstico e tratamento de infecções, promoção de hábitos saudáveis e ambientes mais seguros pode salvar milhões de vidas nas próximas décadas.
Câncer no Brasil
O Brasil deve ter 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Dessa forma, o câncer se aproxima das doenças cardiovasculares como principal causa de morte no país. Os dados constam da publicação “Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil”, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), divulgada nesta quarta-feira (4), Dia Mundial do Câncer, no Rio de Janeiro.
De acordo com o Inca, os números refletem o envelhecimento da população, mas também desigualdades regionais e desafios persistentes no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento rápido.
Entre os homens, os cinco tipos de câncer mais comuns são próstata (30,5%), cólon e reto (10,3%), pulmão (7,3%), estômago (5,4%) e cavidade oral (4,85). Entre as mulheres, predominam o câncer de mama (30%), cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), pulmão (6,4%) e tireoide (5,1%). Em comum, observa-se o tumor de cólon e reto na segunda colocação.
Desigualdades regionais
De acordo com o Inca, o câncer de colo do útero está entre os mais prevalentes no norte e nordeste do país. O câncer de estômago tem maior incidência entre os homens nas regiões Norte e Nordeste. Por outro lado, tumores associados ao tabagismo (pulmão e cavidade oral) são mais frequentes no Sul e Sudeste do país.
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Para o Inca, as diferenças refletem o acesso desigual à prevenção, rastreamento e tratamento. “O Brasil é um país heterogêneo que tem a ver com urbanização e com a exposição a fatores de risco como a falta de saneamento básico. Mas estamos muito preocupados com o câncer de cólon e de reto porque vem aumentando a incidência. Tem a ver com a exposição precoce a fatores de risco, aumento da obesidade e do sedentarismo. Isso mostra que alguma coisa precisa ser feita”, disse o diretor geral do Inca, Roberto Gil.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o câncer de colo do útero vem diminuindo com a vacinação contra o HPV (Papilomavírus Humano). “O mais importante é a prevenção, é combater os hábitos que levam ao câncer como tabaco, principalmente entre os mais jovens, com os dispositivos eletrônicos, o crescimento da obesidade”, afirmou.(Com informações da Agência Brasil)
Matéria atualizada às 12h58 com os dados de câncer no Brasil divulgados nesta quarta (4)
