06 - março - 2026
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Trombofilia na reprodução assistida: riscos e cuidados

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Na data da celebração do Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose, nesta terça, 16 de setembro, é necessário lembrar como a trombofilia pode afetar o sucesso dos tratamentos da reprodução assistida e a evolução da gravidez.

O que é trombofilia?

A trombofilia é o termo que define uma predisposição para a formação excessiva de trombos ou coágulos sanguíneos. Pessoas com essa alteração podem desenvolver coágulos que bloqueiam os vasos sanguíneos e causam complicações à saúde e à fertilidade.

Por se tratar de um estado de predisposição, e não exatamente de uma doença, a trombofilia pode passar despercebida até ser desencadeada por situações apontadas como fatores de risco, como cirurgias, longos períodos de imobilização ou a própria gestação.

A gravidez e o pós-parto colocam o corpo da mulher em um estado de hipercoagulabilidade para evitar hemorragias, agravando os riscos de formação de trombos nas mulheres que têm trombofilia.

Riscos na reprodução assistida

Durante os tratamentos de reprodução assistida, os riscos da trombofilia são semelhantes aos observados nas gestações naturais, incluindo falha de implantação e abortamento. No entanto, existem algumas particularidades importantes a considerar.

Em geral, quem busca tratamentos de reprodução assistida, sobretudo a fertilização in vitro (FIV), já vivenciou dificuldades prolongadas para engravidar, ou até perdas gestacionais, e precisa de um tratamento personalizado para investigar e superar fatores clínicos ou genéticos.

Nesse contexto, a trombofilia se torna um agravante relevante, pois pode aumentar o risco de falhas no tratamento, perda de embriões (evidências fracas) e complicações obstétricas (evidências fortes).

Vale lembrar, ainda, que os tratamentos de reprodução assistida demandam alto investimento emocional, devido às frustrações já vividas e às expectativas quanto aos resultados; custos financeiros significativos e tempo e energia dedicados ao processo.

Portanto, minimizar os riscos é essencial, e isso inclui investigar e tratar a trombofilia em casos de perdas gestacionais recorrentes e alguns casos de falha de implantação.

Diagnóstico adequado

O primeiro passo é o diagnóstico adequado. Para isso, é importante realizar exames específicos para a pesquisa de trombofilia, especialmente no caso de mulheres com histórico de abortamento de repetição, eventos trombóticos anteriores ou história familiar de trombose venosa profunda.

Além disso, existem técnicas específicas dentro da FIV que podem ajudar a otimizar os resultados de pacientes com trombofilia. Isso inclui o acompanhamento criterioso da resposta à estimulação ovariana e um protocolo de transferência embrionária adaptado às condições clínicas da mulher.

Embora nem todas as pacientes com trombofilia apresentem complicações, elas precisam ser acompanhadas com maior atenção diante desse diagnóstico. Ademais, cada caso é único, por isso é importante personalizar todas as fases do tratamento de reprodução assistida para reduzir os riscos e aumentar as chances de sucesso.

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Marcos Sampaio
Marcos Sampaio
Marcos Sampaio é formado em medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e em 1987, e tem doutorado em ginecologia e obstetrícia pela Universidade de Valência. Foi médico convidado do Instituto Valenciano de Infertilidade por cinco anos. Concluiu a especialização em embriologia e fertilização na Universidade de Melbourne, Austrália, onde trabalhou com um dos pioneiros da fertilização in vitro no mundo, prof. Alan Trounson. Crédito da foto: Divulgação É o diretor do Centro de Medicina Reprodutiva – Clínica Origen. Possui mais de 80 artigos científicos publicados e diversos capítulos em publicações, além de mais de 3 livros.

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