A partir desta terça-feira (1º), a vacina meningocócica ACWY passa a ser ofertada no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças com 12 meses. O Ministério da Saúde anunciou a mudança na vacinação contra meningite no último fim de semana. Com isso, o Brasil amplia a proteção contra os principais sorogrupos da bactéria causadora da doença.
Vacinação contra meningite
O antigo esquema vacinal contra a meningite incluía duas doses da vacina meningocócica C, aplicadas aos três e aos cinco meses de vida, e um reforço com a mesma dose aos 12 meses.
Com a atualização, portanto, o reforço aos 12 meses passa a usar a vacina ACWY, que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y. Até então, o uso da ACWY, na rede púbica, ocorria apenas em adolescentes com idade entre 11 e 14 anos, em dose única ou como reforço, conforme o histórico vacinal.
As crianças menores de 5 anos que ainda não fizeram o primeiro reforço poderão regularizar o calendário com a ACWY. Já as que estão em dia receberão a ACWY somente na adolescência (entre 11 e 14 anos).
Como fica a vacinação contra meningite
A partir desta terça-feira (1/7), o esquema do Programa Nacional de Imunizações (PNI), que disponibiliza a vacinação gratuitamente nos postos de saúde, passa a ser o seguinte:
- 3 meses — vacina meningocócica C
- 5 meses — vacina meningocócica C
- 12 meses — vacina meningocócica ACWY
- 11 a 14 anos— vacina meningocócica ACWY
Em nota, o Ministério da Saúde informou que crianças que já tomaram as duas doses da vacina meningocócica C e a dose de reforço da mesma vacina não precisam receber a ACWY neste momento. Já as que ainda não foram vacinadas aos 12 meses podem receber a dose de reforço com a ACWY.
O que recomenda a SBIm
A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), no entanto, recomenda, sempre que possível, o uso da ACWY em todas as doses. É que, apesar de o sorogrupo C continuar a ser mais comum no Brasil, a incidência do sorogrupo W — presente na vacina — tem aumentado de forma significativa, em especial nos Estados do Sul do país.
Dados do ministério mostram que, em 2025, o Brasil registrou, até o momento, 4.406 casos confirmados de meningite, sendo 1.731 do tipo bacteriana, 1.584 do tipo viral e 1.091 por outras causas ou de tipos não identificados.
De acordo com o PNI, “a mudança dá continuidade ao enfrentamento das meningites até 2030 seguindo as Diretrizes para Enfrentamento das Meningites até 2030, publicadas pelo Brasil, primeiro país a propor suas ações no roteiro global da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tema, que estabelece estratégias para o combate às principais causas de meningite bacteriana aguda”.
De acordo com o Ministério da Saúde, há outros tipos de vacina contra meningite disponíveis no SUS, como a BCG, a penta e as pneumocócicas 10, 13 e 23-valente, que também ajudam a proteger contra algumas formas da doença.
A meningite
A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. As causas da doença podem ser bactérias, vírus, fungos e parasitas, mas também pode ter origem não infecciosa, como em casos de câncer com metástase nas meninges, lúpus, reações a medicamentos e traumatismos cranianos.
As meningites virais e bacterianas são as de maior importância para a saúde pública, considerando a magnitude de sua ocorrência e o potencial de produzir surtos. No Brasil, a meningite é uma doença endêmica. Casos da doença ocorrem ao longo de todo o ano, com surtos e epidemias ocasionais.
As meningites bacterianas, de acordo com o Ministério da Saúde, são mais frequentes no outono e inverno, enquanto as meningites virais predominam nas estações da primavera e do verão.
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Transmissão
Em geral, a transmissão é de pessoa para pessoa, através das vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. Também ocorre a transmissão fecal-oral, através da ingestão de água e alimentos contaminados e contato com fezes.
Sintomas
A meningite é uma síndrome na qual, em geral, o quadro clínico é grave, por isso no momento em que achar que você ou alguém pode estar com sintomas de meningite deve procurar atendimento médico o mais rápido possível.
Diagnóstico
Se o médico suspeita de meningite, ele solicita a coleta de amostras de sangue e líquido cefalorraquidiano (líquor). O laboratório então testa as amostras para detectar o agente que está causando a infecção. A identificação específica do agente é importante para o médico saber exatamente como deve tratar a infecção.
Os principais exames para o esclarecimento diagnóstico de casos suspeitos de meningite são:
- Exame quimiocitológico do líquor;
- Bacterioscopia direta;
- Cultura;
- Aglutinação pelo látex;
- Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real (qPCR).
O aspecto do líquor, embora não considerado um exame, funciona como um indicativo. O líquor normal é límpido e incolor. Nos processos infecciosos, ocorre turvação de intensidade variada.
Todos os exames laboratoriais estão disponíveis no SUS, e são solicitados pela equipe médica ou de vigilância epidemiológica durante o acompanhamento do caso.
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Tratamento
Devido à gravidade do quadro clínico, os casos suspeitos de meningite sempre são internados nos hospitais. Por isso, ao se suspeitar de um caso, deve-se procurar urgentemente um pronto-socorro hospitalar para avaliação médica.
Tipos de tratamento
Tratamento das meningites bacterianas: Faz-se uso de antibioticoterapia em ambiente hospitalar, com drogas de escolha e dosagens terapêuticas prescritas pelos médicos assistentes do caso. Recomenda-se ainda o tratamento de suporte, como reposição de líquidos.
- Tratamento das meningites virais: Na maioria dos casos, não se faz tratamento com medicamentos antivirais. Em geral as pessoas são internadas e monitoradas quanto a sinais de maior gravidade, e se recuperam espontaneamente. Porém alguns vírus como o herpesvírus podem vir a provocar meningite com necessidade de uso de antiviral específico.
- Tratamento das meningites fúngicas: É mais longo, com altas e prolongadas dosagens de medicação antifúngica, escolhida de acordo com o fungo identificado no organismo do paciente. A resposta ao tratamento também é dependente da imunidade da pessoa, e pacientes com história de HIV/AIDS, diabetes, câncer e outras doenças imunodepressoras são tratados com maior rigor e cuidado pela equipe médica.
- Tratamento das meningites por parasitas: Tanto o medicamento contra a infecção como as medicações para alívio dos sintomas são administrados por equipe médica em paciente internado. Nesses casos, os sintomas como dor de cabeça e febre são bem fortes, e assim a medicação de alívio dos sintomas se faz tão importante quanto o tratamento contra o parasita.
Prevenção
Como foi dito acima, a meningite é uma síndrome que pode ser causada por diferentes agentes infecciosos. Para alguns desses, a vacinação contra meningite é a principal forma de prevenção. Os imunizantes estão disponíveis contra as principais causas de meningite bacteriana.
O PNI disponibiliza, no calendário infantil, os seguintes tipos de vacinação contra meningite:
- Vacina meningocócica C (Conjugada): protege contra a doença meningocócica causada pelo sorogrupo C.
- Vacina pneumocócica 10-valente (conjugada): protege contra as doenças invasivas causadas pelo Streptococcus pneumoniae, incluindo meningite.
- Pentavalente: protege contra as doenças invasivas causadas pelo Haemophilus influenzae sorotipo B, como meningite, e também contra a difteria, tétano, coqueluche e hepatite B.
- Meningocócica C (Conjugada): protege contra a doença meningocócica causada pelo sorogrupo C.
- Meningocócica ACWY (Conjugada): protege contra a doença meningocócica causada pelos sorogrupos A,C,W e Y.
Fontes: Agência Brasil, Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)
