05 - abril - 2025
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Tratar a obesidade infantil reduz risco de doenças na vida adulta

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A obesidade infantil é um dos principais desafios de saúde pública da atualidade. Isso porque está associada a um maior risco de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão e distúrbios cardiovasculares. E porque também envolve transtornos como ansiedade e depressão.

No Brasil, três em cada dez crianças com idades de 5 a 9 anos estão acima do peso, de acordo com o Ministério da Saúde. Conforme o Atlas Mundial da Obesidade e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil estará na quinta posição no ranking de países com o maior número de crianças e adolescentes com obesidade em 2030. E, avaliam, o país tem pouca chance de reverter o quadro se ficar de braços cruzados.

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Estudo

Um estudo do Instituto Karolinska, na Suécia, publicado recentemente no JAMA Pediatrics, constatou que o tratamento eficaz da obesidade infantil está associado a uma redução significativa no risco de várias doenças. Entre elas, diabetes tipo 2, dislipidemias e hipertensão. Além da diminuição da necessidade de cirurgia bariátrica e do menor risco de mortalidade prematura em adultos jovens.

De acordo com a pesquisa, a remissão completa do quadro reduziu em 88% o risco de mortalidade em comparação a uma resposta inadequada ao tratamento. Isso reforça a importância de se diagnosticar e tratar a doença desde cedo. Assim, aumenta-se a probabilidade de sucesso e de mitigar os riscos de saúde em longo prazo.

O grupo analisou o Registro Sueco de Tratamento de Obesidade Infantil (BORIS, na sigla em inglês). Esse setor reúne dados de crianças e adolescentes que recebem tratamento para obesidade. Eles avaliaram informações de 6.713 jovens de 6 a 17 anos que se tratavam havia pelo menos um ano, com duração média de três anos.

A coleta de informações aconteceu entre 1996 e 2019, e as análises ocorreram em 2023. A resposta ao tratamento da obesidade pediátrica se baseou em mudanças na pontuação do desvio padrão do Índice de Massa Corporal (IMC). Depois, foi categorizada como ruim, intermediária, boa ou remissão completa da obesidade. A avaliação dos resultados ocorreu quando os participantes tinham entre 18 e 30 anos de idade.

Urgência

“Não é a primeira vez que os suecos publicam um trabalho marcante sobre o tema. O estudo atual demonstra o quanto a obesidade pediátrica, cada dia mais prevalente e tão negligenciada, urge em ser tratada. E como ela tem em sua abordagem um potencial transformador para a vida toda, que agora fica comprovado”, analisa a endocrinologista Leandra Anália Freitas Negretto, do Hospital Israelita Albert Einstein em Goiânia.

O estudo mostrou muitos bons resultados nos desfechos para hipertensão, diabetes e dislipidemias. No entanto, concluiu que o risco de desenvolver depressão e ansiedade permaneceu inalterado na idade adulta jovem, independentemente do resultado do tratamento recebido na infância. Inicialmente, os pesquisadores pensavam que a perda de peso poderia diminuir os sintomas mentais, mas concluíram que as condições devem ser tratadas em paralelo.

“Isso nos chama a atenção e demonstra o quanto talvez subestimemos a complexidade que a ansiedade e a depressão envolvem. Seriam os prejuízos causados pelo estigma da obesidade muito mais profundos e danosos do que o que se imagina?”, indaga Negretto.

O que explica o aumento da obesidade infantil?

De acordo com dados do Atlas da Obesidade Infantil no Brasil, publicado em 2019 pelo Ministério da Saúde,14,4% das crianças menores de 5 anos e 13,2% daquelas entre 5 e 9 anos apresentavam obesidade naquele ano. Além disso, 29,3% das crianças entre 5 e 9 anos tinham excesso de peso. O mesmo documento aponta que 4,8% dos pequenos com idade entre 5 e 10 anos foram classificadas com obesidade grave.

Em dez anos, metade das crianças e dos adolescentes pode estar IMC elevado, de acordo com estimativa apresentada na edição de 2024 do Atlas Mundial da Obesidade, feito pela Federação Mundial de Obesidade. “Os motivos de cada vez mais crianças se tornarem obesas, e cada vez mais precocemente, devem ser descritos no plural e com reticências, pois ainda há muito o que estudar a esse respeito”, diz a endocrinologista.

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Causas da obesidade infantil

Para a especialista, o senso comum ainda responsabiliza a pessoa com obesidade. Porém, na verdade, essa condição acontece por uma junção de fatores. Principalmente pela associação entre genética predisposta, ambiente obesogênico, em que há intensa oferta de alimentos ultraprocessados e hipercalóricos, e sedentarismo.

“Nossa genética não mudou, mas, em um passado não muito distante, as crianças brincavam por horas na rua e comer em demasia era exceção. Hoje, as crianças estão mais enclausuradas e ansiosas em casa, muitas vezes com livre acesso a telas e alimentos ultraprocessados. Já a atividade física, quando presente, ocupa poucas horas do dia”, pontua a especialista.

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Foco na alimentação e na atividade física

Diante de um quadro de obesidade, portanto, a recomendação para o tratamento de crianças com menos de 12 anos é a mudança de comportamento e estilo de vida. Já em adolescentes, existe a possibilidade de associar o uso de medicamentos.

“É importante frisar que todo tratamento para obesidade e sobrepeso tem foco na alimentação e na atividade física, o que chamamos de mudança no estilo de vida. Sem esse passo, o tratamento torna-se muito mais desafiador e, muitas vezes, infrutífero, com recidivas e recuperação do peso perdido mais frequentes”, alerta Leandra Negretto.

As dificuldades relacionadas ao tratamento da obesidade infantil são diversas, a começar pelo imaginário coletivo de que a criança pode ser “gordinha”. “Convencer familiares a mudarem seus hábitos de vida, com menos horas de tela, menos consumo de ultraprocessados e guloseimas, mais atividade física e maior ingestão de alimentos de verdade, é extremamente desafiador”, avalia a médica.

Fonte: Agência Einstein
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