BEM-ESTAR

Câncer de cabeça e pescoço: a importância da prevenção

Você tem uma ferida na boca que não cicatriza?

Atenção: dificuldades para engolir ou mover a língua também são alerta para o câncer de cabeça e pescoço
câncer de cabeça e pescoço
Crédito: Freepik

O Brasil teve mais de 110 casos de câncer de cabeça e pescoço por dia no ano passado, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca). O órgão calcula 41 mil novos casos em 2016. São estimadas cerca de 10 mil mortes por ano no Brasil. E os pacientes que sobrevivem têm uma perda significativa da qualidade de vida durante e após o tratamento. Um dos principais problemas, segundo a Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG) Brasil,  é o diagnóstico tardio, que ocorre em 60% dos casos.

O que é

O câncer de cabeça e pescoço engloba os tumores de boca, da laringe e da faringe (orofaringe, nasofaringe e hipofaringe). As principais causas são o cigarro e o álcool. A prevenção, portanto, é feita abolindo esses hábitos. “É importante também, não só para tumores de boca, mas para todos os tipos de cânceres, ter uma dieta equilibrada, rica em frutas e vegetais, e fazer atividade física”, orienta a médica oncologista clínica Aline Lauda Freitas Chaves, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) e diretora da DOM Oncologia.

Sinais de alerta

Aline Chaves explica alguns sintomas dos tumores de cabeça e pescoço que servem de alerta: “Geralmente, o paciente apresenta uma lesão que não cicatriza em qualquer região da boca, como se fosse uma afta, que persiste por mais de três semanas. Pode sangrar ou não. As regiões mais acometidas são a língua e soalho (região embaixo da língua) da boca”.

Qualquer lesão que não cicatrize, com crescimento progressivo, deve ser avaliada pelo profissional de saúde. “Dor ou dificuldade para engolir e dificuldade para mobilizar a língua também podem ser sinais sugestivos de câncer de boca”, diz a oncologista clínica.

Geralmente, o diagnóstico se dá pelo reconhecimento da lesão suspeita seguida de biópsia. “O dentista está apto a identificar lesões suspeitas e encaminhar o paciente para biópsia caso ele não a faça”, orienta Aline Chaves.

Tratamento do câncer de cabeça e pescoço

A oncologista clínica diz que o tratamento do câncer de cabeça e pescoço não é feito apenas por um especialista. “É fundamental uma equipe multidisciplinar atuando em conjunto: cirurgião de cabeça e pescoço, oncologista, radioterapeuta, dentista, fonoaudiólogo, enfermeiro, psicólogo e assistente social”, afirma.

Os tratamentos disponíveis hoje são cirurgia, radioterapia, quimioterapia e drogas alvo-moleculares. “Nos tumores iniciais, geralmente, o tratamento é unimodal – com apenas uma modalidade de tratamento. Na doença avançada, é importante o tratamento multimodal, associando a cirurgia, a radioterapia e, em algumas situações, a quimioterapia”, explica Aline Chaves.

Resultados

A médica explica que, nos tumores iniciais, diagnosticados precocemente, o percentual de cura varia entre 80% e 90%. Para os tumores avançados ressecados (que podem ser completamente removidos durante a cirurgia), em torno de 50%. Para os tumores avançados irressecáveis (que não podem ser completamente removidos, geralmente por conta do seu crescimento e por já terem invadido outros órgãos ou vasos adjacentes), a taxa de cura geralmente fica em torno de 10%.

“O mais importante é conhecer o seu corpo. Se há alguma alteração na sua boca, alguma dificuldade para falar, engolir, respirar, alguma lesão que persiste, procure um profissional de saúde para avaliar o caso. Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de cura e menores as sequelas do tratamento”, recomenda Aline Chaves. E o mais importante, ela diz: “Não fume!”.

O que você precisa saber
  • Os tumores malignos de cabeça e pescoço correspondem a quase 7% de todos os tipos de câncer no país.
  • Esses tumores ocupam a quinta posição entre os homens brasileiros e ocorrem três vezes mais entre os homens do que entre as mulheres.
  • O tabaco é responsável por 97% dos diagnósticos de câncer de laringe.
  • O álcool associado ao fumo aumenta em 5 vezes o risco para câncer de cabeça e pescoço.
  • A infecção pelo HPV (papilomavírus humano) tem contribuído para o aumento na incidência da doença em jovens nos últimos anos devido à falta de uso de preservativos na prática do sexo oral, por exemplo.
  • O câncer de cabeça e pescoço, independentemente da modalidade terapêutica escolhida (cirurgia, radio e/ou quimioterapia), causa sequelas psicológicas e anatomofuncionais irreversíveis para a qualidade de vida do paciente.
Fonte: Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG) Brasil
Leia mais:

Cartilha “A prevenção do câncer ao alcance de todos”, da Sboc
Câncer é a doença mais temida pelos brasileiros
Veja mitos e verdades sobre a saúde oral

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *