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Trombose: coágulo em local e hora errados

Veja mitos e verdades sobre a trombose

Hematologista ressalta que diagnóstico só é confirmado com exame de imagem
trombose
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Passamos por várias situações na vida onde o risco de trombose é maior do que o habitual: desde a imobilização por fratura até as grandes cirurgias. Câncer, longos períodos de internação hospitalar (imobilização), gestação, uso de anticoncepcional oral conjugado e algumas doenças autoimunes também são alguns dos fatores de risco para a formação de coágulos (trombos) dentro do sistema cardiovascular.

“Qualquer processo que seja capaz de interferir no equilíbrio da hemostasia (mecanismo que mantém o sangue fluido e impede sangramentos) pode aumentar o risco de trombose”, ressalta o médico hematologista Daniel Dias Ribeiro, coordenador do Comitê de Trombose da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular – ABHH. Felizmente, na maioria das vezes, nada acontece.

“Não temos números precisos da população brasileira, mas a taxa de incidência de trombose é de um a cada 1.000 pacientes por ano”, diz Ribeiro. Esse número varia muito com a idade, sendo a trombose rara em crianças e frequente acima dos 80 anos. O hematologista desfaz o mito de que as mulheres são as principais vítimas. “A incidência de trombose é praticamente a mesma no homem e na mulher”, afirma.

Como ocorre a trombose

“Resumidamente a trombose é um coágulo que se formou no lugar e na hora errados”, explica o hematologista. “Temos um sistema de ‘proteção’, o sistema hemostático, que mantém o sangue fluido, mas, ao mesmo tempo, é capaz de promover a formação do coágulo (trombo) quando determinados estímulos estão presentes”, diz.

Após o término do estímulo (cicatrização do vaso, na maioria das vezes), esse mesmo sistema dissolve o coágulo formado permitindo que o vaso sanguíneo volte a ser funcional – que o sangue volte a “correr”. “Todos esses processos ocorrem de forma orquestrada. Quando algum desequilíbrio acontece, podemos ter tendência a sangrar ou a trombosar”, afirma Ribeiro.

Diagnóstico

A suspeita do diagnóstico é sempre clínica, mas a confirmação deve acontecer obrigatoriamente através de exames de imagem. “É imprescindível a realização de um método de imagem sempre quando há suspeita clínica para confirmar e localizar o coágulo”, ressalta o hematologista.

O tipo de teste vai variar de acordo com o local acometido. Por exemplo, nas tromboses de membros inferiores (que são as mais comuns), pode-se usar o duplex scan ou, mais raramente, a venografia. Nas embolias pulmonares, a cintilografia de perfusão x ventilação ou a angiotomografia.

Mito ou verdade

Apenas mulheres têm a trombose.

MITO. A incidência de trombose é igual nos dois sexos quando não estratificado por faixa etária. Quando é avaliada apenas a faixa entre 20 a 40 anos, a incidência é um pouco maior nas mulheres exatamente pela maior exposição a fatores de risco, como os anticoncepcionais e gestações.

Anticoncepcional é uma das principais causas.

MITO. Existe uma correlação do uso dos anticoncepcionais com o tromboembolismo venoso. O aumento do risco relativo de trombose associado a estes é de duas a sete vezes maior quando comparamos mulheres da mesma idade que usam verso aquelas que não fazem uso. O vilão é o estrógeno, que interfere no equilíbrio da coagulação favorecendo a formação de trombose.

Quem tem dores nas pernas corre mais risco.

MITO. Temos diversas causas para “dores nas pernas”, mas um dos sintomas da trombose pode ser a dor de membros inferiores.

Dor é um dos sintomas.

VERDADE. Os membros inferiores são os locais mais comuns de trombose e os principais sintomas são o edema (inchaço), a vermelhidão, a dor e o calor local, além de dor nas pernas.

Gestantes podem desenvolver trombose.

VERDADE. O corpo da mulher passa por uma série de mudanças durante a gravidez. O organismo se prepara para a situação do parto, aumentando as substâncias pró-coagulantes no sangue. O resultado é um risco seis vezes maior de trombose durante a gestação. No período de pós-parto, durante aproximadamente 40 dias, esse risco chega a ser 15 vezes maior.

Quem tem varizes ou vasinhos apresenta maior risco de ter trombose.

MITO. A relação entre a presença de varizes em membros inferiores e o aumento no risco de trombose não é clara.

Existem fatores de risco.

VERDADE. Entre os fatores relacionados à trombose arterial e venosa estão antecedentes familiares de eventos trombóticos, tabagismo, aterosclerose, hipertensão arterial; e, no caso da venosa, antecedentes familiares de eventos trombóticos, idade, cirurgias gerais, trauma, câncer, uso de contraceptivos orais e terapia de reposição hormonal, entre outros.

Dicas de prevenção*

Exercitar-se ou fazer pequenas caminhadas regularmente
Controlar o peso
Evitar o cigarro
Movimentar as pernas durante longos períodos sentado
Usar meias elásticas no caso de insuficiência venosa

*Sempre com orientação médica

Fonte: Médico hematologista Daniel Dias Ribeiro, coordenador do Comitê de Trombose da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular - ABHH.H

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