VACINA

Prevenção do HPV em meninos

Por que vacinar seu filho contra o HPV?

Em 3 anos, casos de câncer oral devem ultrapassar os de colo do útero
vacina HPV para meninos
Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Já  falamos por aqui, no ano passado, sobre a vacinação de meninas contra o HPV, o papilomavírus humano (“Por que vacinar sua filha contra o HPV?”). Logo após o post, o Ministério da Saúde anunciou a vacinação para meninos de 12 e 13 anos e jovens de 9 a 26 anos com HIV. A vacina já está disponível na rede pública para esses grupos. E, novamente, colocamos a questão, desta vez para os pais de meninos: por que vacinar seu filho contra o HPV?

O pediatra, epidemiologista e mestre em infectologia José Geraldo Leite Ribeiro alerta que o HPV causa câncer em outras regiões além do colo do útero, como na cavidade bucal, no ânus e no pênis. E esses cânceres também acometem o homem. “Há preocupação com o aumento dos casos de câncer da cavidade oral pelo HPV”, diz Ribeiro, que é secretário do Departamento de Vacinas da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

O câncer do colo do útero mata mais de 4.000 brasileiras todos os anos. Segundo os Centers for Disease  Control (CDC) dos EUA, o câncer da cavidade oral pode ultrapassar o de colo do útero em 2020.  Os cânceres de garganta e de boca são o sexto tipo de câncer no mundo. São 400 mil casos ao ano e 230 mil mortes. Além disso, mais de 90% dos casos de câncer anal são atribuíveis ao HPV.

Estratégia

O esquema de vacinação para adolescentes saudáveis menores de 15 anos é o mesmo: duas doses com intervalo de seis meses. Para homens com HIV entre os 9 e 26 anos, a vacinação é feita com a apresentação de prescrição médica. Nesse caso, são três doses: a segunda, dois meses após a primeira; e a terceira, seis meses após a primeira. “Esses esquemas demonstraram boa imunogenicidade em estudos clínicos”, explica Ribeiro.

De acordo com o Ministério da Saúde, a vacina para os meninos é a quadrivalente, que já é oferecida desde 2014 para as meninas. Ela confere proteção contra quatro subtipos do HPV (6, 11, 16 e 18), com 98% de eficácia.

Em Minas Gerais, 354,9 mil meninos de 12 e 13 anos além de 1.600 jovens com HIV podem receber a vacina. A expectativa é imunizar, em 2017, mais de 3,6 milhões de meninos  de 12 e 13 anos e 99,5 mil jovens de 9 a 26 anos com HIV no país.

Vanguarda

O Brasil é o primeiro país da América do Sul e o sétimo do mundo a oferecer a vacina para meninos em programas nacionais. A vacina HPV para meninos já é utilizada como estratégia de saúde pública nos Estados Unidos,  na Austrália, na Áustria, em Israel, em Porto Rico e no Panamá.

A vacina é segura. Já foi aprovada pelo Conselho Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas da Organização Mundial de Saúde (OMS). A ampliação da vacinação para o sexo masculino segue as recomendações das Sociedades Brasileiras de Pediatria, Imunologia, Obstetrícia e Ginecologia. A faixa etária será ampliada, gradativamente, até 2020, quando serão incluídos os meninos de 9 a 13 anos.

Como será a oferta da vacina HPV para meninos por ano*:
 Ano  População-alvo
 2017  Meninos de 12 e 13 anos
 2018  Meninos de 11 e 12 anos
 2019  Meninos de 10 e 11 anos
 2020  Meninos de 9 e 10 anos
 Fonte: Ministério da Saúde

*Atualização em 2 de julho de 2017:  O Ministério da Saúde ampliou, em junho, a faixa etária dos garotos que podem receber, gratuitamente, a vacina contra o HPV. A vacina, agora, está disponível nos postos de saúde para meninos de 11 anos até 15 anos incompletos.

Três perguntas

Quais são os eventos adversos da vacina HPV nos meninos?

Os eventos adversos nos meninos são os mesmos das meninas. Dor local, vermelhidão e mais raramente reações alérgicas. A vacina não possui o vírus HPV, apenas uma proteína dele, resultando disso a não ocorrência de reações graves.

Há contraindicações da vacina HPV  para os meninos?

A única contraindicação à vacinação é a ocorrência de reação alérgica a doses anteriores. Pode ser aplicada no mesmo dia de outras vacinas, inclusive no mesmo dia que a vacina contra meningite C, também liberada para meninos e meninas de 12 e 13 anos em 2017.

O que ocorre se, por algum motivo, o menino tomar a segunda dose da vacina HPV com atraso?

Se o (a) adolescente faltar à data da segunda dose, essa pode ser aplicada posteriormente sem perda da imunogenicidade.

Fonte: José Geraldo Leite Ribeiro, secretário do Departamento de Vacinas da Sociedade Brasileira de Pediatria e professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e da Faseh.
Leia mais:

Perguntas e respostas sobre a vacinação contra o HPV, da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim)

Sintomas e prevenção do câncer de boca no site do Instituto Nacional do Câncer

 

 

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