07 - junho - 2026
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Excesso ou falta de carboidrato eleva mortalidade

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Excesso ou falta de carboidrato na dieta afeta a expectativa de vida. Sabe-se que os dois extremos estão relacionados à maior taxa de mortalidade e prejuízos a longo prazo, mas ainda há poucos dados sobre o tema. Agora um novo estudo, publicado no “The Journal of Nutrition”, feito por cientistas japoneses da Universidade de Nagoya, reforça a afirmação.

Os autores do estudo avaliaram mais de 80 mil voluntários ao longo de quase nove anos. E observaram que, de modo geral, o risco de morte por doenças cardiovasculares foi maior entre aqueles que consumiam uma quantidade moderadamente baixa de carboidratos, correspondente a 40% a 50% do total energético diário.

Além disso, constataram que homens com ingestão inferior a 40% e mulheres que consumiam em excesso, acima de 65% do total energético ingerido, também apresentaram uma taxa de mortalidade mais elevada. Os riscos envolviam principalmente doenças cardiovasculares e câncer. Vale ressaltar que não houve diferença significativa quanto ao tipo de carboidrato preferido.

Carboidratos refinados

Os pacientes acompanhados tinham entre 35 e 69 anos, com média de idade de 55 anos. Durante esse período, eles preencheram questionários detalhados sobre a sua alimentação, fornecendo dados tanto sobre o consumo de carboidratos refinados quanto integrais, gorduras saturadas e insaturadas, além de informações sobre estilo de vida, ingestão de álcool, consumo de tabaco e frequência que praticam atividade física.

“Dietas ricas em carboidrato muitas vezes incluem carboidratos refinados, como arroz branco e pão branco, e esses alimentos costumam refletir hábitos alimentares de baixa qualidade, o que pode levar a uma carga glicêmica cronicamente alta, resultando em consequências metabólicas negativas associadas ao risco de mortalidade”, explica a nutricionista Serena del Favero, do Hospital Israelita Albert Einstein. A alta glicose em circulação aumenta a possibilidade de problemas como a resistência à insulina e predisposição ao diabetes.

Riscos da dieta restritiva

Por outro lado, dietas restritivas de carboidrato podem envolver uma redução significativa no consumo de alimentos de origem vegetal, como frutas, e, ao mesmo tempo, um aumento de proteínas e gorduras de origem animal. “Isso pode estimular vias inflamatórias, acelerar o processo de envelhecimento biológico e aumentar o estresse oxidativo”, continua a especialista.

Portanto, os autores advertem que dietas altamente restritivas, voltadas para a perda de peso, podem não ser a estratégia mais saudável. De acordo com eles, o ideal seria adotar uma alimentação balanceada que assegure uma ingestão energética adequada proveniente de diversas fontes. No que diz respeito aos carboidratos, a proporção recomendada seria de 40% a 70% da ingestão calórica total.

Dicas de alimentação

Segundo a nova diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicada em julho, a ingestão desse nutriente deve priorizar grãos integrais, vegetais, frutas e leguminosas como feijão e lentilha.

Para orientar a quantidade adequada, o Guia Alimentar para a População Brasileira, documento do Ministério da Saúde, recomenda consumir diariamente seis porções do grupo que inclui cereais, tubérculos e raízes (como batata, mandioca e cenoura), três porções de frutas, três porções de legumes e verduras e uma porção de feijão ou outros grãos como grão de bico e lentilha.

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Fonte: Agência Einstein
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