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Tireoide: veja a importância dessa glândula e conheça alguns sinais de alerta

Auto-exame ajuda a identificar aumento do tamanho da tireoide

Médico explica que maioria dos nódulos é benigna, mas é preciso procurar especialista para descartar malignidade
tireoide
Crédito: Freepik

Você sabia que é possível fazer um auto-exame da sua tireoide para verificar se ela está aumentada? A tireoide é aquela glândula pequena, em formato de borboleta, que fica no pescoço logo abaixo do pomo de Adão.

O aumento do tamanho da glândula pode ser identificado quando o paciente observa seu pescoço em frente ao espelho tomando um gole de água. “Ele pode perceber um volume que se movimenta ao deglutir”, explica o médico endocrinologista Cleo Otaviano Mesa Junior, da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), regional Paraná.

Os nódulos são palpáveis em até 5% da população. “Mas podemos encontrar nódulos quando realizamos ecografia (exame de imagem) em até 40%. Geralmente, são apenas achados de exames sem repercussão para o paciente”, afirma.

Apesar de a maioria dos nódulos ser benigna, é importante fazer o exame e o acompanhamento com o médico endocrinologista para descartar a sua malignidade.

Função

A tireoide produz dois hormônios – a tri-iodotironina (T3) e a tiroxina (T4) – que, através do sangue, alcançam todas as células do corpo. Esses hormônios exercem várias funções no organismo:

  • Melhoram o funcionamento do cérebro gerando ânimo e disposição
  • Aumentam a produção de calor corporal e de queima de energia
  • Melhoram o aspecto da pele e dos cabelos
  • Aceleram os batimentos cardíacos e melhoram a função do coração
  • Aceleram os processos digestivos
  • E interferem nas funções reprodutivas, entre outras funções.
Alterações na tireoide

“Basicamente, podemos dizer que existem doenças que afetam o funcionamento da tireoide”, diz o endocrinologista. Como consequência, a glândula pode funcionar em excesso, provocando o aumento de hormônios de tireoide (hipertireoidismo), ou pouco, levando à falta desses hormônios (hipotireoidismo). O hipotireoidismo tem uma prevalência na população relativamente alta, algo entre 5% a 10%. O hipertireoidismo é menos prevalente, em torno de 1,2%.

“Podemos ter, ainda, doenças que alteram a forma ou anatomia da glândula, com o aumento que chamamos de bócio – formação de nódulos geralmente benignos”, explica o médico. O câncer de tireoide, diz, é um tumor raro, mas sua prevalência tem aumentado nos últimos anos.

Causas

Segundo o endocrinologista, as causas mais comuns dos problemas relacionados ao funcionamento da tireoide (hipotireoidismo ou hipertireoidismo) são as doenças autoimunes. Elas ocorrem quando o próprio corpo fabrica anticorpos contra a glândula.

“Essas doenças autoimunes têm tendência familiar e componente genético, mas não podem ser chamadas de hereditárias. É que a forma de herança genética não é bem conhecida e, provavelmente, fatores ambientais desconhecidos têm papel importante”, diz o endocrinologista.

O principal fator ambiental conhecido causador de doenças de tireoide é o iodo da dieta. “Tanto a falta de iodo como o excesso de iodo são prejudiciais para a glândula e podem causar problemas”, alerta o médico.

Ganho e perda de peso

Geralmente, o ganho de peso não está associado a doenças da tireoide. “Apesar de o hormônio tireoidiano estar envolvido com o gasto de energia, a falta dele raramente causa ganho de peso significativo”, explica o médico. “Muitas vezes, ocorre um leve excesso de peso, menor que 1 kg ou 2 kg, associado ao inchaço que o hipotireoidismo pode provocar. Isso ocorre em situações mais graves da falta do hormônio”, diz.

Segundo o médico, o ganho excessivo de peso geralmente está associado a outras causas que devem ser abordadas por um endocrinologista. “A doença tireoidiana pode ser investigada e, quando presente, deve ser tratada, mas raramente afetará o resultado do tratamento da obesidade”, afirma.

Já a perda de peso excessiva pode ser causada pelo excesso de hormônios de tireoide. “Nesses casos, o tratamento do hipertireoidismo corrige o problema”, explica o endocrinologista.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por meio de um exame de sangue, o TSH, que avalia o funcionamento da glândula tireoide. “Quando ele vem alterado, pode ser repetido para confirmar o diagnóstico e, geralmente, solicitamos exames de sangue adicionais para saber a causa e a gravidade do quadro”, diz o médico.

A palpação da glândula durante o exame físico do paciente em consultório é a forma que os médicos usam para diagnosticar nódulos. Quando são encontradas alterações no tamanho da glândula, é solicitada a ecografia (exame de imagem) para confirmação.

“Não há recomendação para se fazer ecografia de rotina em pacientes que não apresentem alterações na palpação da glândula, porque a chance de encontrar nódulos é muito alta. E a chance desses nódulos serem malignos ou causarem problemas para o paciente é muito baixa”, justifica o endocrinologista.

Tratamento e cura

O tratamento para o hipotireoidismo (falta de hormônio) é a reposição com o hormônio de tireoide, a levotiroxina. Existem várias marcas no mercado, de fácil uso e barato. “Ele não deve ser manipulado, pois a apresentação é em microgramas, mil vezes menos que miligramas, e existe perigo de doses incorretas em manipulações”, orienta o endocrinologista.

Para tratar o hipertireoidismo, existem medicamentos na forma de comprimidos. Segundo o médico, os remédios usados no tratamento de doenças tireoidianas têm raros efeitos colaterais. “Isso ocorre, em geral, quando são usados em doses incorretas, e podem causar hipotireoidismo ou hipertireoidismo”, diz.

Os nódulos benignos apenas precisam de tratamento quando incomodam o paciente por compressão no pescoço ou por desconforto estético. Já o câncer de tireoide deve ser removido com cirurgia.

Sintomas

“No caso do hipotireoidismo, o diagnóstico é mais difícil, já que os sintomas se confundem com sintomas gerais”, alerta o médico. É comum cansaço, sonolência, pele seca, queda de cabelos, intestino preso e sensação de frio. “Mas várias outras doenças podem causar esses sintomas, e eles não são específicos para doenças da tireoide”, compara.

Segundo o médico, o hipertireoidismo é mais fácil de se identificar. Geralmente, provoca calor intenso, perda de peso, palpitações, ansiedade, irritação e insônia.

5 fatos que você precisa saber sobre a tireoide
  1. O diagnóstico de hipotireoidismo congênito é realizado por meio do “exame do pezinho” nos primeiros dias de vida da criança.
  2. Durante a gravidez, o hipotireoidismo não diagnosticado e não tratado pode associar-se com complicações relativas à gestação e ao feto.
  3. Na gestação, o diagnóstico deve ser feito no primeiro trimestre.
  4. Em crianças, o hipotireoidismo atrapalha o rendimento escolar se não for tratado adequadamente.
  5. Os nódulos de tireoide são muito frequentes: estão presentes em cerca de 50% da população.
Fonte: Folder divulgado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).
Três perguntas

Alterações na tireoide podem levar à morte se não forem tratadas?

Sim, mas isso é muito incomum hoje. Casos de falta completa de hormônios em que o paciente fica muito tempo sem usar a reposição hormonal (meses ou anos) podem ser graves por uma redução muito acentuada da temperatura corporal e do funcionamento do corpo. Mas, principalmente, o excesso de hormônios, o hipertireoidismo, pode ser muito grave para o coração quando não é tratado e, inclusive, levar à morte. O câncer de tireoide, felizmente, raramente leva à morte.

Se a mãe ou o pai tem problemas na tireoide, o filho também terá?

Não necessariamente. Mas isso aumenta a chance, e ele deve alertar seus médicos para que eles pensem na tireoide quando houver sintomas e, em alguns casos, até dosem o TSH de rotina.

Dá para prevenir ou diagnosticar precocemente doenças na tireoide?

Não há prevenção. O diagnóstico precoce pode ser feito quando o paciente tem informações sobre as doenças da tireoide e procura o profissional quando apresenta sintomas ou em casos em que o risco é mais alto, como uma história familiar mais forte, quando exames de sangue de rotina podem ser indicados e revelar alterações precocemente.

Fonte: Médico endocrinologista Cleo Otaviano Mesa Junior, do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), mestre e doutor em medicina interna pela UFPR, tesoureiro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), regional Paraná.
Tenho um nódulo na tireoide. E agora?

O que fazer diante da descoberta de um nódulo de tireoide?

O médico avaliará o funcionamento da tireoide solicitando um exame de sangue chamado TSH e também o exame de ultrassonografia da glândula. O resultado do ultrassom apontará para características de benignidade ou de malignidade.

Há risco de câncer?

Cerca de 90% desses nódulos são benignos. Os fatores de risco de malignidade são: história de radiação na região cervical, história familiar de câncer de tireoide em parentes de primeiro grau, crescimento rápido do nódulo, presença de adenomegalias (ínguas) na região do pescoço e rouquidão.

Quando se deve fazer a punção-biópsia da tireoide?

Nem todo nódulo precisa ser puncionado. São as características ultrassonográficas e o tamanho que determinam se é necessário ou não realizar a punção aspirativa com agulha fina da tireoide (PAAF).

Todo nódulo de tireoide deve ser operado?

Não. Apenas os nódulos positivos ou fortemente suspeitos de malignidade, bem como os nódulos benignos com sintomas compressivos. Se o resultado for benigno, será preciso acompanhamento médico para avaliar se há crescimento ou alteração do funcionamento da tireoide.

Fonte: Folder divulgado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).
Tenho câncer de tireoide. O que fazer?

Qual é o primeiro passo após o diagnóstico de câncer de tireoide?

Será necessário identificar qual é o tipo de câncer.

Quais são os tipos de câncer de tireoide?

Há quatro tipos:

a. Papilífero: está presente em 80% das pessoas com câncer de tireoide. Geralmente, cresce lentamente e, muitas vezes, espalha-se para os gânglios linfáticos do pescoço. É duas vezes mais frequente nas mulheres e mais comum entre adultos jovens (30-50 anos).

b. Folicular: é o segundo mais comum e está presente em 10% a 15% dos casos. A disseminação se dá nos pulmões ou nos ossos. É mais frequente em mulheres (duas vezes) e acomete os mais velhos (40-60 anos).

c. Medular: ocorre em 5% dos casos. Quando não se espalha, o paciente tem 90% de chance de sobreviver. Em 1/4 dos casos, pode ocorrer em outros integrantes da família. Por isso, requer avaliação genética.

d. Anaplásico: é a forma menos comum e ocorre entre 1% e 2% dos casos. É o mais agressivo. A chance de sobrevida é de 6 a 12 meses. Afeta mais os homens e pessoas acima de 65 anos.

O câncer de tireoide é agressivo?

Geralmente não. O medular e o anaplásico são os mais agressivos, mas, felizmente, são mais raros.

Como é o tratamento?

O tratamento depende do tipo de câncer e se ele se espalhou ou não:

a. Cirurgia para remoção parcial ou total da glândula e dos nódulos linfáticos anormais. Após a cirurgia, o paciente deverá tomar hormônio tireoidiano pelo resto da vida.

b. Terapia com iodo radioativo, que consiste na ingestão de uma pequena quantidade de iodo radioativo para destruir o tecido tireoidiano não removido pela cirurgia.

A quimioterapia só é indicada para tratar os tumores anaplásicos e raramente é curativa. A radioterapia é usada apenas no caso câncer avançado sem indicação de cirurgia.

Fonte: Folder divulgado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

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